Tem gente que não tem noção do conceito de espaço vital. Os caixas de farmácia são um exemplo: você ainda está guardando seu troco, ou cartão, e eles já estão chamando o próximo, que vai ter que dividir o espaço mínimo do balcão com você, que ainda nem pegou sua sacola ainda (ou pegou correndo, de qualquer jeito, porque já sabe que vem o próximo aí). Aí, ou você se afasta do caixa, indo para a porta da farmácia com a bolsa ou a carteira aberta (arriscado), ou fica mesmo no caminho da outra pessoa, se espremendo para deixar ela invadir o seu espaço vital.
Uma vez eu vi uma cena bizarra. Eu era a terceira da fila de uma farmácia no centro, quando a caixa 3 chamou o próximo. A primeira pessoa da fila era uma mulher que, quando viu que o recém-atendido ainda estava guardando o dinheiro na carteira, não se mexeu. O homem que estava atrás dela simplesmente a contornou e foi para o caixa. Ela protestou imediatamente: está furando a fila? E ele respondeu: você não foi! A caixa tentou dar razão ao homem: eu mandei a senhora vir, e a senhora não veio. Ao que a mulher respondeu: você não manda em mim! Aí, infelizmente, ela perdeu o rumo da discussão... Mas estava, na minha opinião, coberta de razão. A caixa não tinha noção de espaço vital e o homem era arrogante e mal educado. Arrogante porque assumiu que a mulher era otária (que eu lembre, ela era loira, o que causa grande preconceito nos homens arrogantes) e mal educado porque não perguntou para ela porque ela não estava atendendo o chamado da moça do caixa.
Sempre que alguém cede a vez na fila, ela fala, não é isso mesmo? "Pode passar, estou esperando tal-e-tal-coisa-ou-pessoa." Se a pessoa não falou nada, ela pode não ter ouvido que era sua vez, então, não nos custa alertar, em vez de sair assumindo que podemos passar a frente. Essa semana, tive um exemplo de pessoa educada. Fui ao McDonald's e tinha uma daquelas mocinhas com prancheta que te perguntam, na fila, o que você vai querer, para agilizar o trabalho do caixa. A mocinha que estava na fila que eu peguei não estava ao lado da fila, estava na fila em si, de costas para o último cliente. Enquanto minha amiga, que estava na minha frente, pensava no que ia querer (note, a tal mocinha da prancheta não deixou nem a gente chegar direito, mal entramos e escolhemos a fila, lá veio ela: posso oferecer uma promoção não-sei-das-quantas?), chegou uma senhora que escolheu a nossa fila. A mocinha da prancheta, como estava de costas para a fila, não viu que ela andou, e aí ficou um espaço entre o último da primeira parte da fila e ela, que iniciava a segunda parte. A tal senhora, educadamente, me perguntou se estávamos na fila. É assim que se faz! Se tem um buraco na fila, você estranha e pergunta, não sai achando que é seu aquele espaço.
Eu me repito um pouco com minha mania de protestar contra falta de educação, mas é que o Rio está demais! Quem sabe os meus textos fazem cair algumas fichas?
domingo, 21 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Egoísmo
Um pouco ainda na linha da minha tristeza com a falta de atenção que reina, queria registrar que quando não prestamos atenção no próximo estamos sendo egoístas.
Ouço muito as pessoas dizendo "eu tenho que fazer as minhas coisas" para justificar não fazer um sacrifício por alguém. Mas um pouco de sacrifício pelo próximo é uma coisa boa. Temos muita vida pela frente, podemos deixar de fazer alguma que queremos de vez em quando. Ninguém se torna otário por fazer algo a mais do que o padrão por alguém que mereça.
Merecer é que é a questão hoje em dia para mim. Percebi que algumas pessoas simplesmente não merecem. São aquelas que, por mais que eu tenha saído do meu caminho para ajudar, nunca mudaram sua programação por mim. Por essas, só faço o que não vai me dar nenhum trabalho adicional, conforme elas fazem por mim. Para minha surpresa, elas não se incomodam, não! Isso é o esperado, cada um faz pelo próximo só o que não incomodar. Modelo de comportamento do Século XXI, pelo visto.
Não gosto, não. Prefiro aquelas pessoas com quem troco favores estapafúrdios. Aprendi a ser um pouco egoísta, mas gosto mesmo é de me enrolar para fazer algo que vai fazer uma pessoa querida sorrir. Tenho um monte de amigos assim, que estão sempre disponíveis para me ajudar, que me oferecem favores antes de eu pedir. Eles devolvem minha fé na humanidade. #8)
Ouço muito as pessoas dizendo "eu tenho que fazer as minhas coisas" para justificar não fazer um sacrifício por alguém. Mas um pouco de sacrifício pelo próximo é uma coisa boa. Temos muita vida pela frente, podemos deixar de fazer alguma que queremos de vez em quando. Ninguém se torna otário por fazer algo a mais do que o padrão por alguém que mereça.
Merecer é que é a questão hoje em dia para mim. Percebi que algumas pessoas simplesmente não merecem. São aquelas que, por mais que eu tenha saído do meu caminho para ajudar, nunca mudaram sua programação por mim. Por essas, só faço o que não vai me dar nenhum trabalho adicional, conforme elas fazem por mim. Para minha surpresa, elas não se incomodam, não! Isso é o esperado, cada um faz pelo próximo só o que não incomodar. Modelo de comportamento do Século XXI, pelo visto.
Não gosto, não. Prefiro aquelas pessoas com quem troco favores estapafúrdios. Aprendi a ser um pouco egoísta, mas gosto mesmo é de me enrolar para fazer algo que vai fazer uma pessoa querida sorrir. Tenho um monte de amigos assim, que estão sempre disponíveis para me ajudar, que me oferecem favores antes de eu pedir. Eles devolvem minha fé na humanidade. #8)
domingo, 14 de novembro de 2010
Use filtro solar!
Estou sumida daqui. As ideias eu tenho, mas o tempo anda escasso. Vou tentar melhorar a frequência, para o caso de alguém se interessar pelo que eu tenho a dizer. #8)
Queridos e queridas, por favor, usem filtro solar todos os dias. Eu não vou à praia há muitos anos, muitos mesmo, e uso filtro todo dia, na maior disciplina. Mesmo assim, semana passada descobri que tenho uma mega mancha no rosto! Imaginem minha depressão... Todo mundo a elogiar a minha pele, a dizer como ela é branquinha, macia, hidratada, etc etc. Já ouvi até dizerem que não tenho mancha (não olharam direito, pelo que percebi).
Agora imaginem: se eu que tenho todo esse cuidado estou com uma mancha no rosto, quem não tem vai ficar uma coisa horrível quando chegar na minha idade! Se cuidem.
Queridos e queridas, por favor, usem filtro solar todos os dias. Eu não vou à praia há muitos anos, muitos mesmo, e uso filtro todo dia, na maior disciplina. Mesmo assim, semana passada descobri que tenho uma mega mancha no rosto! Imaginem minha depressão... Todo mundo a elogiar a minha pele, a dizer como ela é branquinha, macia, hidratada, etc etc. Já ouvi até dizerem que não tenho mancha (não olharam direito, pelo que percebi).
Agora imaginem: se eu que tenho todo esse cuidado estou com uma mancha no rosto, quem não tem vai ficar uma coisa horrível quando chegar na minha idade! Se cuidem.
sábado, 2 de outubro de 2010
Atenção!
Como já disse Gilberto Gil: é preciso estar atento e forte.Já reparou que a maior parte dos erros que cometemos é por falta de atenção? Não estamos olhando para onde devíamos, não estamos ouvindo o que estão nos explicando, não estamos ligados no que estamos fazendo. Tenho percebido que pouquíssimos erros acontecem por não sabermos o que fazer, e sim porque não estamos mesmo atentos ao que estamos fazendo, estamos pensando em mil outras coisas ao mesmo tempo.
Uma vez, minha avó me mostrou como mudava o ritmo com que a empregada encerava o chão de acordo com a música que estava tocando no rádio. Ou seja, a moça estava com a atenção dividida entre o trabalho e a música, e, portanto, trabalhando de forma menos eficiente. Nada contra trabalhar com música, é bem mais agradável para a maioria das pessoas, e, se diminuir a eficiência, mas aumentar o prazer de trabalhar, ótimo. Usei essa história só para ilustrar que, mesmo quando a gente não imagina que não está prestando atenção, a gente, de fato, não está.
Agora note: não tem nada pior para a atenção do que a interrupção. Está você ali focado no que está fazendo, no meio de um raciocínio, quando toca o telefone. Acabou. Mesmo que você não atenda, já perdeu o fio da meada e vai ter que retomar o raciocínio de um passo anterior, no mínimo.
Nos dias de chuva, as informações sobre o trânsito culpam o fenômeno meteorológico pelo aumento no número de acidentes. Não é isso, não! É que, com a chuva, precisa prestar mais atenção. Ninguém está mesmo acostumado a prestar atenção, nem nas condições favoráveis, imagina com a pista molhada e a visibilidade prejudicada... Aí culpam a água que cai do céu inocentemente, naturalmente. Bah!
É preciso prestar mais atenção. Em tudo e em todos. Preste atenção nos seus amigos, nos seus colegas, no seu companheiro, no seu trabalho, e até no seu lazer. Olhe para a tela do cinema durante todo o tempo, não fique brincando com seu celular no meio do filme. Aproveite cada momento dando importância a ele. Preste mais atenção! #8)
Uma vez, minha avó me mostrou como mudava o ritmo com que a empregada encerava o chão de acordo com a música que estava tocando no rádio. Ou seja, a moça estava com a atenção dividida entre o trabalho e a música, e, portanto, trabalhando de forma menos eficiente. Nada contra trabalhar com música, é bem mais agradável para a maioria das pessoas, e, se diminuir a eficiência, mas aumentar o prazer de trabalhar, ótimo. Usei essa história só para ilustrar que, mesmo quando a gente não imagina que não está prestando atenção, a gente, de fato, não está.
Agora note: não tem nada pior para a atenção do que a interrupção. Está você ali focado no que está fazendo, no meio de um raciocínio, quando toca o telefone. Acabou. Mesmo que você não atenda, já perdeu o fio da meada e vai ter que retomar o raciocínio de um passo anterior, no mínimo.
Nos dias de chuva, as informações sobre o trânsito culpam o fenômeno meteorológico pelo aumento no número de acidentes. Não é isso, não! É que, com a chuva, precisa prestar mais atenção. Ninguém está mesmo acostumado a prestar atenção, nem nas condições favoráveis, imagina com a pista molhada e a visibilidade prejudicada... Aí culpam a água que cai do céu inocentemente, naturalmente. Bah!
É preciso prestar mais atenção. Em tudo e em todos. Preste atenção nos seus amigos, nos seus colegas, no seu companheiro, no seu trabalho, e até no seu lazer. Olhe para a tela do cinema durante todo o tempo, não fique brincando com seu celular no meio do filme. Aproveite cada momento dando importância a ele. Preste mais atenção! #8)
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Assim como são as pessoas são as criaturas - parte 4 - festa infantil
Hoje eu fui almoçar sozinha num McDonald's que tem uma mesona que permite compartilhamento sem constrangimento. Abre parênteses: na Europa, uma mesa de quatro lugares em uma lanchonete ou praça pública tem quatro lugares mesmo, ou seja, quatro pessoas totalmente estranhas entre si podem dividir a mesa numa boa. Aqui no Brasil, uma mesa de quatro lugares ocupada por uma pessoa está "lotada", todo mundo evita ela. A gente só se senta junto com quem a gente não conhece quando não tem mais nenhuma mesa vazia. Nesse tal McDonald's tem uma mesa grande que é usada com naturalidade por pessoas sozinhas ou em grupos pequenos, bem europeia. Fecha parênteses.
Sempre procuro sentar a essa mesa quando estou sozinha, porque fico mais perto dos outros e consigo ouvir a conversa alheia - meu passatempo preferido quando não levo companhia comigo. Tem dias em que as pessoas estão mudas, não falam nem ao telefone. Booooooring. Mas hoje foi ótimo.
Fiquei bem em frente a um casal de jovens que estava conversando sobre uns amigos, seus relacionamentos, blablabla, nada de muito interessante, até que teve uma hora que não sei como o assunto foi parar em festas infantis. O rapaz disse que não entendia a profissão de Animador de Festa Infantil. Para que serviria essa profissão tão sem sentido? O animador é um cara que não anima nada, que fica inventando as brincadeiras mais bobas do mundo, em vez de deixar as crianças brincarem de coisas mais interessantes. Eu estava a ponto de explicar que o animador não está lá por causa das crianças, está por causa dos adultos! Sua função é manter as crianças distraídas e ocupadas para não destruírem tudo e nem ficarem torrando a paciência dos pais, que querem ter sossego para conversar com seus amigos (os pais do aniversariante, por exemplo), comer salgadinho e tomar cerveja.
Enquanto eu pensava se ia me meter na conversa ou não, o tal do rapaz fez uma revelação: mesmo quando ele era criança, não gostava de festa infantil! Dos animadores eu já tinha visto que ele não gostava, mas a maior queixa dele nem era essa. O que sempre o incomodava era a insistência de sua mãe para que fosse brincar com "os amiguinhos". Ele rejeitava o rótulo de amigo aplicado a crianças que ele não conhecia. Imagina a mãe querer que ele fizesse amizade ali, na hora, com um total estranho, no tempo de uma festa! Enquanto eu pensava se precisava fazer pacto de amizade para sair brincando, ele levantou a seguinte questão: existe uma receita para fazer amizade? Começou a idealizar: 3 colheres de simpatia, 2 xícaras de alegria... Lembrei do Sheldon na hora! http://www.youtube.com/watch?v=Cj4OqNV59VY
Que criança engraçada deve ter sido esse rapaz. E quantas histórias engraçadas e teorias criativas ele deve ter para compartilhar hoje. #8)
domingo, 29 de agosto de 2010
Assim como são as pessoas são as criaturas - parte 3 - táxi
Eu não gosto de andar de táxi. Estar em um ambiente onde um total estranho comanda a estação e o volume do rádio, a direção e a intensidade do ar condicionado e a abertura dos vidros me incomoda bastante. Motorista de táxi é que nem vendedor de loja: precisa ter o dom de lidar com o público, e raramente passa por um treinamento formal na arte de agradar. Os de cooperativa são melhores, não sei se recebem orientação ou se passam por alguma prova ou processo de recrutamento, mas normalmente são mais simpáticos, educados e hábeis em nos deixar à vontade.
Tinha um rapaz que volta e meia me levava de volta para a empresa depois de uma reunião com um cliente específico. Ele era uma mala! Reclamava de tudo e de todos. Até que um dia ele confessou que não gostava de ser taxista - aí entendi por que ele era tão azedo. Só que ele veio com um papo de não ter opção por não ter estudado. Não aguentei... Perguntei a ele o que ele estava fazendo para mudar essa situação. É claro que ele não estava fazendo nada, né? Aí eu disse a ele que ele deveria decidir o que queria ser, o que preferia fazer, e começar a trabalhar no sentido de virar aquilo. Voltasse a estudar, fizesse um curso, sei lá. O que não podia era ficar só reclamando de ser algo que não queria ser! Ele se calou o restante da viagem. Tomara que tenha pensado no que eu falei e tenha encontrado o caminho para ser mais feliz.
O oposto foi um taxista de cooperativa que me levou para o trabalho um dia desses. Ele adorava sua profissão. Tinha sido professor primário por algum tempo e não tinha se adaptado. Pensou no táxi como alternativa e se encontrou. Achei um barato! Não me incomodo de andar no carro dele. #8)
domingo, 22 de agosto de 2010
Assim como são as pessoas são as criaturas - parte 2 - sorte
Outro dia estava eu no posto de gasolina novamente não ganhando abastecimento grátis no sorteio. Eu participo sempre dos sorteios, mas é raro ganhar alguma coisa.
Aí o frentista me perguntou se eu tinha ganho, na promoção anterior, alguma camisa, pois várias tinham sido sorteadas lá naquele posto. Quando eu disse que não, ele disse que ia começar a achar que eu era pé-frio. Eu disse a ele que eu era, sim, totalmente pé-frio, e que era por isso que eu não tinha time.
Ele nem piscou! Imediatamente me pediu "Então torce para o Flamengo!"
#8)
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