sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A semelhança entre o homem e o suricato

Outro dia, eu estava procurando o que assistir na TV e caí no Animal Planet, bem no início de um episódio do programa "No Reino dos Suricatos". A vida de algumas famílias de suricatos (http://pt.wikipedia.org/wiki/Suricata) são acompanhadas nesse documentário em capítulos que tem formato de novela. O narrador vai contando a história, ora mostrando uma família, ora outra, ao mesmo tempo em que nos explica um pouco sobre os hábitos e as regras da sociedade desses bichinhos. Muito interessante e bem feito. A primeira parte desse artigo fala um pouco do programa, talvez explicando melhor do que eu: http://noticias.uol.com.br/ultnot/bichos/ultnot/ult295u2277.jhtm
Um pedaço que me marcou no episódio que eu vi foi o comportamento de um suricato que me lembrou muito o homem (o macho da nossa espécie). O tal suricato - esqueci o nome agora, vou chamar ele de João - saiu de perto de sua família porque perdeu a condição de macho alfa para seu irmão. Isso aconteceu em algum episódio anterior, então não sei o motivo, mas o João estava tendo que aturar diariamente demonstrações de poder de seu irmão. Cansado dessa vida (assim disse o narrador), João se afasta da família para tentar dar novo rumo à sua vida.
Ele se aproxima de uma outra família (os "Pereira") e percebe que a fêmea alfa (vou chamar de Ana) está atenta à sua aproximação, mas no bom sentido. O narrador então explica que a família Pereira está sem macho alfa e que todos os machos vivos na família são filhos ou irmãos da Ana, e que, por isso, não podem ter filhos com ela. Talvez por esse motivo, os machos Pereira não apresentam resistência ao João, que começa a se aproximar lentamente sob o olhar interessado de Ana.
Eis que, não mais que de repente, aparece uma fêmea desgarrada. Ela não pertence a nenhuma família, então será uma presa fácil para um "sexo casual". Um macho desgarrado aparece na área, e João espanta ele rapidamente para passar a noite com a tal fêmea, adiando a possível conquista de Ana Pereira para o dia seguinte. Assim que o sol nasce, ele abandona a fêmea e vai procurar a família Pereira.
Infelizmente para João, um macho de uma outra família (que não sei porque estava procurando uma fêmea fora da família) chega antes dele e é aceito por Ana, que, vamos lá, estava mesmo precisando de um macho e muito provavelmente teria aceito o João. João perde a chance de se tornar o macho alfa da família Pereira pela pura pressa de passar uma noite com alguém.
Quando eu era garota, me ensinaram que os homens fazem absolutamente qualquer promessa em troca de sexo. Não pensam nas consequências, o importante é satisfazer o desejo sexual, depois a gente vê o resto. Ao longo da história, muitos já foram obrigados, por suas próprias mães, a casar, caso tenham prometido isso a uma virgem em troca do sexo. Outros apenas quebram promessas e corações, ficando por isso mesmo. Lembrei desse ensinamento quando vi o João voar para cima da fêmea desgarrada, não pensando nem mesmo no seu próprio futuro. A promessa de sexo logo ali, naquele momento, sem esforço, sem dúvidas e sem consequências foi um chamado forte demais aos instintos do pobre João.
Dizem que isso é o instinto de preservação da espécie. Acredito nele. E entendo o desespero dos rapazes que fazem de tudo para conseguir procriar, mesmo sem saber que é isso que está por trás daquele caldeirão de hormônios! A programação deles está no sistema operacional. #8)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O celular e a varinha de condão

Um conhecido meu disse certa vez que a população não estava preparada para ter celular. Ele pegava a barca todo dia para trabalhar e estava se referindo à enorme quantidade de pessoas que falavam assuntos pessoais e delicados pelo celular em ambientes públicos sem qualquer preocupação de quem estaria ouvindo em volta. Ou seja, faltava maturidade tecnológica, faltava a percepção de que celular não é telefone, não se estava mais em casa, trancado no quarto, contando segredos para a melhor amiga. Se estava na rua, usando uma ferramenta parecida com o telefone, mas não igual.
Meu marido diz que o celular está se transformando em uma varinha de condão. Esse aparelhinho interessantíssimo faz cada vez mais do que apenas permitir comunicação sem fio à distância, e vai ser cada vez mais imprescindível nas nossas vidas.
Acho que ambos estão certos, e a maturidade tecnológica terá que chegar para todos - é a tal inclusão digital, certo? A famosíssima Sonia tentando pronunciar youtube.com (http://www.youtube.com/watch?v=Z2ssNSjMLRk) nos mostra o quanto isso será difícil para alguns, mas a Geração Y (http://pt.wikipedia.org/wiki/Gera%C3%A7%C3%A3o_Y) não terá nenhum problema. E a Wikipedia já está falando em Geração Z!
Eu, que não sou de nenhuma dessas, mas me viro, estou apaixonada atualmente pelo Foursquare. Tem gente que não entende sequer qual o objetivo de ter Internet no celular, mas eu acho o máximo brincar de ser Local ou então Mayor de algum lugar. #8)
Espero que a Geração Z, em seus futuros saltos tecnológicos mirabolantes, não me exclua digitalmente.

domingo, 21 de novembro de 2010

Espaço vital e educação

Tem gente que não tem noção do conceito de espaço vital. Os caixas de farmácia são um exemplo: você ainda está guardando seu troco, ou cartão, e eles já estão chamando o próximo, que vai ter que dividir o espaço mínimo do balcão com você, que ainda nem pegou sua sacola ainda (ou pegou correndo, de qualquer jeito, porque já sabe que vem o próximo aí). Aí, ou você se afasta do caixa, indo para a porta da farmácia com a bolsa ou a carteira aberta (arriscado), ou fica mesmo no caminho da outra pessoa, se espremendo para deixar ela invadir o seu espaço vital.
Uma vez eu vi uma cena bizarra. Eu era a terceira da fila de uma farmácia no centro, quando a caixa 3 chamou o próximo. A primeira pessoa da fila era uma mulher que, quando viu que o recém-atendido ainda estava guardando o dinheiro na carteira, não se mexeu. O homem que estava atrás dela simplesmente a contornou e foi para o caixa. Ela protestou imediatamente: está furando a fila? E ele respondeu: você não foi! A caixa tentou dar razão ao homem: eu mandei a senhora vir, e a senhora não veio. Ao que a mulher respondeu: você não manda em mim! Aí, infelizmente, ela perdeu o rumo da discussão... Mas estava, na minha opinião, coberta de razão. A caixa não tinha noção de espaço vital e o homem era arrogante e mal educado. Arrogante porque assumiu que a mulher era otária (que eu lembre, ela era loira, o que causa grande preconceito nos homens arrogantes) e mal educado porque não perguntou para ela porque ela não estava atendendo o chamado da moça do caixa.
Sempre que alguém cede a vez na fila, ela fala, não é isso mesmo? "Pode passar, estou esperando tal-e-tal-coisa-ou-pessoa." Se a pessoa não falou nada, ela pode não ter ouvido que era sua vez, então, não nos custa alertar, em vez de sair assumindo que podemos passar a frente. Essa semana, tive um exemplo de pessoa educada. Fui ao McDonald's e tinha uma daquelas mocinhas com prancheta que te perguntam, na fila, o que você vai querer, para agilizar o trabalho do caixa. A mocinha que estava na fila que eu peguei não estava ao lado da fila, estava na fila em si, de costas para o último cliente. Enquanto minha amiga, que estava na minha frente, pensava no que ia querer (note, a tal mocinha da prancheta não deixou nem a gente chegar direito, mal entramos e escolhemos a fila, lá veio ela: posso oferecer uma promoção não-sei-das-quantas?), chegou uma senhora que escolheu a nossa fila. A mocinha da prancheta, como estava de costas para a fila, não viu que ela andou, e aí ficou um espaço entre o último da primeira parte da fila e ela, que iniciava a segunda parte. A tal senhora, educadamente, me perguntou se estávamos na fila. É assim que se faz! Se tem um buraco na fila, você estranha e pergunta, não sai achando que é seu aquele espaço.
Eu me repito um pouco com minha mania de protestar contra falta de educação, mas é que o Rio está demais! Quem sabe os meus textos fazem cair algumas fichas?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Egoísmo

Um pouco ainda na linha da minha tristeza com a falta de atenção que reina, queria registrar que quando não prestamos atenção no próximo estamos sendo egoístas.
Ouço muito as pessoas dizendo "eu tenho que fazer as minhas coisas" para justificar não fazer um sacrifício por alguém. Mas um pouco de sacrifício pelo próximo é uma coisa boa. Temos muita vida pela frente, podemos deixar de fazer alguma que queremos de vez em quando. Ninguém se torna otário por fazer algo a mais do que o padrão por alguém que mereça.
Merecer é que é a questão hoje em dia para mim. Percebi que algumas pessoas simplesmente não merecem. São aquelas que, por mais que eu tenha saído do meu caminho para ajudar, nunca mudaram sua programação por mim. Por essas, só faço o que não vai me dar nenhum trabalho adicional, conforme elas fazem por mim. Para minha surpresa, elas não se incomodam, não! Isso é o esperado, cada um faz pelo próximo só o que não incomodar. Modelo de comportamento do Século XXI, pelo visto.
Não gosto, não. Prefiro aquelas pessoas com quem troco favores estapafúrdios. Aprendi a ser um pouco egoísta, mas gosto mesmo é de me enrolar para fazer algo que vai fazer uma pessoa querida sorrir. Tenho um monte de amigos assim, que estão sempre disponíveis para me ajudar, que me oferecem favores antes de eu pedir. Eles devolvem minha fé na humanidade. #8)

domingo, 14 de novembro de 2010

Use filtro solar!

Estou sumida daqui. As ideias eu tenho, mas o tempo anda escasso. Vou tentar melhorar a frequência, para o caso de alguém se interessar pelo que eu tenho a dizer. #8)
Queridos e queridas, por favor, usem filtro solar todos os dias. Eu não vou à praia há muitos anos, muitos mesmo, e uso filtro todo dia, na maior disciplina. Mesmo assim, semana passada descobri que tenho uma mega mancha no rosto! Imaginem minha depressão... Todo mundo a elogiar a minha pele, a dizer como ela é branquinha, macia, hidratada, etc etc. Já ouvi até dizerem que não tenho mancha (não olharam direito, pelo que percebi).
Agora imaginem: se eu que tenho todo esse cuidado estou com uma mancha no rosto, quem não tem vai ficar uma coisa horrível quando chegar na minha idade! Se cuidem.

sábado, 2 de outubro de 2010

Atenção!

Como já disse Gilberto Gil: é preciso estar atento e forte.Já reparou que a maior parte dos erros que cometemos é por falta de atenção? Não estamos olhando para onde devíamos, não estamos ouvindo o que estão nos explicando, não estamos ligados no que estamos fazendo. Tenho percebido que pouquíssimos erros acontecem por não sabermos o que fazer, e sim porque não estamos mesmo atentos ao que estamos fazendo, estamos pensando em mil outras coisas ao mesmo tempo.
Uma vez, minha avó me mostrou como mudava o ritmo com que a empregada encerava o chão de acordo com a música que estava tocando no rádio. Ou seja, a moça estava com a atenção dividida entre o trabalho e a música, e, portanto, trabalhando de forma menos eficiente. Nada contra trabalhar com música, é bem mais agradável para a maioria das pessoas, e, se diminuir a eficiência, mas aumentar o prazer de trabalhar, ótimo. Usei essa história só para ilustrar que, mesmo quando a gente não imagina que não está prestando atenção, a gente, de fato, não está.
Agora note: não tem nada pior para a atenção do que a interrupção. Está você ali focado no que está fazendo, no meio de um raciocínio, quando toca o telefone. Acabou. Mesmo que você não atenda, já perdeu o fio da meada e vai ter que retomar o raciocínio de um passo anterior, no mínimo.
Nos dias de chuva, as informações sobre o trânsito culpam o fenômeno meteorológico pelo aumento no número de acidentes. Não é isso, não! É que, com a chuva, precisa prestar mais atenção. Ninguém está mesmo acostumado a prestar atenção, nem nas condições favoráveis, imagina com a pista molhada e a visibilidade prejudicada... Aí culpam a água que cai do céu inocentemente, naturalmente. Bah!
É preciso prestar mais atenção. Em tudo e em todos. Preste atenção nos seus amigos, nos seus colegas, no seu companheiro, no seu trabalho, e até no seu lazer. Olhe para a tela do cinema durante todo o tempo, não fique brincando com seu celular no meio do filme. Aproveite cada momento dando importância a ele. Preste mais atenção! #8)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Assim como são as pessoas são as criaturas - parte 4 - festa infantil

Hoje eu fui almoçar sozinha num McDonald's que tem uma mesona que permite compartilhamento sem constrangimento. Abre parênteses: na Europa, uma mesa de quatro lugares em uma lanchonete ou praça pública tem quatro lugares mesmo, ou seja, quatro pessoas totalmente estranhas entre si podem dividir a mesa numa boa. Aqui no Brasil, uma mesa de quatro lugares ocupada por uma pessoa está "lotada", todo mundo evita ela. A gente só se senta junto com quem a gente não conhece quando não tem mais nenhuma mesa vazia. Nesse tal McDonald's tem uma mesa grande que é usada com naturalidade por pessoas sozinhas ou em grupos pequenos, bem europeia. Fecha parênteses.
Sempre procuro sentar a essa mesa quando estou sozinha, porque fico mais perto dos outros e consigo ouvir a conversa alheia - meu passatempo preferido quando não levo companhia comigo. Tem dias em que as pessoas estão mudas, não falam nem ao telefone. Booooooring. Mas hoje foi ótimo.
Fiquei bem em frente a um casal de jovens que estava conversando sobre uns amigos, seus relacionamentos, blablabla, nada de muito interessante, até que teve uma hora que não sei como o assunto foi parar em festas infantis. O rapaz disse que não entendia a profissão de Animador de Festa Infantil. Para que serviria essa profissão tão sem sentido? O animador é um cara que não anima nada, que fica inventando as brincadeiras mais bobas do mundo, em vez de deixar as crianças brincarem de coisas mais interessantes. Eu estava a ponto de explicar que o animador não está lá por causa das crianças, está por causa dos adultos! Sua função é manter as crianças distraídas e ocupadas para não destruírem tudo e nem ficarem torrando a paciência dos pais, que querem ter sossego para conversar com seus amigos (os pais do aniversariante, por exemplo), comer salgadinho e tomar cerveja.
Enquanto eu pensava se ia me meter na conversa ou não, o tal do rapaz fez uma revelação: mesmo quando ele era criança, não gostava de festa infantil! Dos animadores eu já tinha visto que ele não gostava, mas a maior queixa dele nem era essa. O que sempre o incomodava era a insistência de sua mãe para que fosse brincar com "os amiguinhos". Ele rejeitava o rótulo de amigo aplicado a crianças que ele não conhecia. Imagina a mãe querer que ele fizesse amizade ali, na hora, com um total estranho, no tempo de uma festa! Enquanto eu pensava se precisava fazer pacto de amizade para sair brincando, ele levantou a seguinte questão: existe uma receita para fazer amizade? Começou a idealizar: 3 colheres de simpatia, 2 xícaras de alegria... Lembrei do Sheldon na hora! http://www.youtube.com/watch?v=Cj4OqNV59VY
Que criança engraçada deve ter sido esse rapaz. E quantas histórias engraçadas e teorias criativas ele deve ter para compartilhar hoje. #8)